Apostrophe
Daniely Silva -
Tempo de leitura: 2 minutos.
Resenhas

Às vezes, pergunto-me por que uso Linux. Os atritos que precisamos enfrentar para fazer coisas simples me fazem pensar duas vezes antes de recomendá-lo indiscriminadamente.
Logo em seguida, no entanto, eu me lembro dos porquês. São majoritariamente filosóficos. O tecnicismo tomou muitos dos nossos espaços, fazendo com que escolher algo por um ideal pareça tolo. Mas há também razões práticas que me fizeram migrar do sistema de Redmond para o Pingüim europeu; uma delas, embora singela, é o Apostrophe, descoberta recente com a qual escrevo este texto.
Ele é novo na minha vida mas está disponível desde 2012 para distribuições Linux, tendo se originado num fork do UberWriter. É escrito em Python e mantido, atualmente, por Manuel Genovés. É um editor de texto em Markdown com sustança. Tem funções de exportação direta em ODT, HTML, PDF e ePUB ― é tudo o que eu procurava! Tem funções de correção ortográfica e estatísticas de palavras, caracteres, sentenças, tempo de leitura e parágrafos. Atalhos de formatação também estão disponíveis para quem não quer ou não sabe usar as chaves que o Markdown nos oferece. Também oferece a pré-visualização de um documento renderizado com as formatações escolhidas.
Há também o curioso Modo Hemingway, no qual não se pode apagar o que escreveu ou voltar no texto. A descrição do aplicativo diz se tratar de uma simulação de uma máquina de escrever, mas vai além disso, porque, ao datilografar, a gente ainda pode voltar e riscar. De todo modo, deve ser um exercício interessante escrever assim — embora pouco produtivo, imagino.

Tudo isso está disponível num ambiente sem distrações. Assim que começamos a digitar, tudo ao redor some e a área de escrita ocupa toda a tela para que vejamos só o que escrevemos: o texto centralizado e sem firulas. Sem distrações qualquer bloco de notas consegue ser, mas ele se desenha de forma a tornar a escrita gostosa. O Apostrophe consegue se equilibrar em ser completo sem perder a simplicidade.
Simples e completo, ele é também atraente. O logo traz um esqueumorfismo da figura genérica de uma máquina de escrever quase que sensual. As três cores monocromáticas criam o contraste com a quarta cor de uma única tecla vermelha, invocando sensações nostálgicas como combustível para a escrita.
A página oficial do projeto é < https://world.pages.gitlab.gnome.org/apostrophe/ >. O programa não está disponível para Windows e MacOS.
