Daniely Silva

Realidade Inverossímil

Retrato em plano fechado de moça sorridente Daniely Silva -
Tempo de leitura: 1 minutos. Crônicas #reflexões

Entre março e abril de 2026, fiz o curso As Personagens e a História no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc. Numa das aulas, o professor trouxe um exemplo que tomou meus pensamentos por semanas.

Numa explicação sobre a verossimilhança, ele expôs que a realidade não tem compromisso em parecer real — diferentemente da ficção. Ele trouxe o exemplo do policial feminicida e as mensagens trocadas divulgadas pela imprensa: as falas são absurdas num nível em que, se uma personagem falasse algo semelhante, muita gente largaria uma história na hora. Mas a realidade já se provou inverossímil em várias ocasiões, lembrando-se de se reafirmar a cada dia.

Fiquei com essa ideia martelando a cabeça por dias. Pouco depois, vi a minissérie brasileira Emergência Radioativa, que dramatiza o lado humano da tragédia com o Césio-137, em Goiânia. Num dos episódios, o bombeiro é impedido pelo físico de atirar ao rio a cápsula radiativa. A cena é tensa, mas não demorei a pensar que a produção exagerou no efeito dramático, pois não passaria na cabeça de ninguém fazer algo do tipo, sobretudo se tratando de uma autoridade. Conhecia anteriormente o incidente, mas, pesquisando um pouco mais, descobri que isso realmente aconteceu. É difícil de acreditar!, algo que é real soa como inverossímil numa adaptação dramática.

Já nem me espanto mais com telenovelas, porque nossa realidade roubou até as Graças da ficção.